GERÚNDIO e GERUNDISMO nas comunicações corporativas

Você já reparou como o jeito que escrevemos revela muito sobre quem somos no trabalho? Um e-mail mal formulado, um relatório confuso ou um comunicado cheio de palavras desnecessárias pode minar a credibilidade de quem o escreveu, mesmo quando a intenção é boa.

gerúndio e gerundismo

O que é o gerúndio e por que ele existe

Antes de qualquer coisa, o gerúndio não é um vilão. Ele é uma forma verbal legítima da língua portuguesa e tem sua função: expressar uma ação contínua ou em progresso. É o caso de frases como:

  • “Ela passou a tarde inteira sorrindo enquanto ouvia música.”
  • “O gerente estava apresentando os resultados quando foi interrompido.”

Percebe? O gerúndio dá ideia de duração, continuidade, de algo que está acontecendo naquele momento. O problema surge quando o usamos demais — especialmente em textos profissionais.

Quando o gerúndio vira problema

O uso excessivo do gerúndio deixa o texto prolixo. E “prolixo” é aquela palavrinha bonita que significa “cheio de palavras desnecessárias”.

Veja este exemplo comum em e-mails corporativos:

“Estaremos entrando em contato para estar verificando a sua solicitação.”

Parece formal, mas é cansativo. Agora veja a versão revisada:

“Entraremos em contato para verificar sua solicitação.”

Muito mais direto, certo? O leitor entende de imediato o que você quer dizer, sem precisar “decifrar” o texto. E é exatamente isso que transmite profissionalismo e clareza.

O impacto na imagem profissional

Quando usamos estruturas como “vamos estar analisando”, “vamos estar te informando”, o texto soa descuidado, relaxado.
Essa forma de escrita, conhecida como gerundismo, é considerada um vício de linguagem , ou seja, um mau hábito que compromete o estilo e o tom da comunicação.

Em um contexto corporativo, o excesso de gerúndios pode passar a impressão de que o autor não domina bem o padrão formal da língua. Além disso, torna o texto monótono, sem ritmo e sem dinamismo.

Como melhorar o texto na prática

A boa notícia é que dá para resolver isso com pequenos ajustes.
Veja este trecho antes da revisão:

“Estamos iniciando o projeto de redução de custos na próxima semana. Sendo assim, estamos enviando os cronogramas e marcando uma reunião para estarmos discutindo os detalhes.”

Agora a versão revisada:

“O projeto de redução de custos começa na próxima semana. Até sexta-feira enviaremos o cronograma e marcaremos uma reunião para discutir os detalhes.”

Perceba como o texto ficou mais claro, leve e direto — e ainda assim transmite a mesma mensagem. É o poder da revisão consciente e do uso moderado do gerúndio.

Quando o excesso de gerúndio é permitido (e até bonito!)

Nem sempre o uso repetitivo do gerúndio é ruim. Em textos literários, por exemplo, ele pode criar ritmo e musicalidade. Um caso clássico é o poema “Rondó dos Cavalinhos”, de Manuel Bandeira, cheio de verbos no gerúndio — mas ali o recurso é intencional e faz parte do estilo poético.

No mundo corporativo, porém, o objetivo é outro: clareza e objetividade. Por isso, o uso exagerado de gerúndios precisa ser evitado em relatórios, e-mails, redações e qualquer texto técnico ou profissional.

Dica final: menos é mais

O segredo está em escrever com consciência linguística.
Usar o gerúndio quando ele é necessário, e eliminá-lo quando ele apenas “enche espaço”. Lembre-se: um texto bem escrito reflete sua organização mental e competência comunicativa.

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